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Artes

Sabe o que e isso? Segundo o Joao, dono da obra, e uma caixa de fósforo com o palito aceso!

Parar

Eu queria parar. Queria mesmo parar de fazer tantas coisas. Como num passe de mágica, num balançar do rabo-de-cavalo, eu queria parar. Me fazer parar. Parar o mundo. Parar as bocas. Parar os carros! Todos eles! Parar tudo. E parar de escrever esse texto porque está uma porcaria sem tamanho. Desculpa aí. Parei.

Lembro-me do Michael Jackson muito bem. Nasci escutando sua música, que era muito bem-vinda em casa, e vendo o desenho animado do Jackson 5 na TV, que para meu pai lembrava o estilão do Tony Tornado, a manha do Simonal…

Eram os negões que sabiam tudo de som. O Didi o imitava nos Trapalhões, no ballet tentávamos inutilmente imitar os passos de Thriller. Pânico foi mesmo quando começamos a fazer a coreografia dos zumbis na sapatilha de ponta… e pedíamos para dançar a sinistra coreografia no espetáculo de final de ano.

Eram os anos 80. Ele usava luva, meia branca com calça e sapato social pretos… Tudo errado… Mas para um homem que conseguia andar de costas e de lado como se estivesse deslizando no gelo (essa observação é do João) tá tudo certo.

Aliás quando em “Men in Black” o trataram como alienígena, honestamente parecia uma boa explicação. Ele era um ser extraordinário, com uma vida incompreensível e modos particulares. Era um gênio da música e da dança. Lógico que com tudo isso, ele não morreu.

I WANT YOU BACK

Clara e Heitor

Era uma vez uma princesa, que morava às margens do lago Constance, na divisa entre a Alemanha e a Suíça, bem pertinho da Floresta Negra, onde todos os contos de fada dos Irmãos Grimm acontecem. Essa princesa era uma menina falante, animada, que gostava de nadar, brincar, competir e fazer o máximo de atividades possíveis ao ar livre.

Ela se chamava Clara, tinha a pele levemente bronzeada do sol, os cabelos muito negros e cacheados e os lábios finos e cor-de-rosa. Seus olhos grandes e brilhantes mostravam toda a alegria de viver que existia em Clara.

No topo da montanha que beirava o lago Constance, vivia o calado príncipe Heitor. Ele era um menino muito quieto, que tinha poucos amigos e passava a maior parte do seu tempo praticando esportes. Cavalgar, esquiar na neve e caçar eram suas atividades favoritas. Aliás, Heitor adorava viver entre os caçadores do reino. Eles o entendiam. Apesar de ser muito jovem, Heitor tinha feições de um adulto. Seu cabelo loiro, muito liso, sua pele extremamente branca, seus lábios vermelhos como o sangue e seus pequeninos olhos davam a ele uma aparência mais séria e concentrada do que realmente era.

Mas como em todos os contos de fada, um dia os pais de Clara e Heitor decidiram que eles tinham de se casar. Formariam o casal perfeito para a Floresta Negra. E reinariam da planície do lago ao topo da montanha.

O pai de Heitor, o rei Johann, ordenou que seu filho o acompanhasse numa viagem até o lago para conhecer a filha dos reis locais. Eles nem sabiam que Clara chamava-se Clara.

Enquanto isso, a mãe de Clara, a rainha Helena, tentava convencer a filha que ela deveria preparar-se para um evento muito importante que aconteceria em três dias.

Heitor sabia que dali duas noites chegaria ao lago, que sempre imaginou conhecer. Clara sentia que lá de cima das montanhas vinha uma onda de frio que lhe dava medo.

O grande dia chegou. Às escondidas, os pais de Heitor e Clara prepararam o jantar no qual os dois seriam apresentados e, se tudo desse certo, acertariam seu casamento.

Clara e Heitor foram apresentados. Obedientemente, aceitaram o casamento. Seus pais surpreenderam-se. Os príncipes e princesas naquela época não estavam aceitando as ordens reais com muita tranqüilidade. Havia dezenas de histórias de fugas e amores não-correspondidos. Porém Heitor e Clara resolveram aceitar. Os dois, que eram tão espertos, falaram sim. Não foi amor à primeira vista. Para Clara, aquilo era uma aventura. Para Heitor, uma caçada. Estavam felizes.

E continuaram felizes por muito tempo. Heitor passou três verões com Clara, hospedado no palácio. Ele gostava do calor. Clara nunca tinha ido até as montanhas. E, todos os anos, ela esperava ansiosa pela chegada de Heitor, com suas peles e notícias do gelo.

Finalmente, passado esse tempo de namoro, eles se casaram. E, como o reino de Heitor precisava de cuidados, eles foram morar no topo da montanha. Clara estava radiante, feliz e animada como nunca. Mas o frio, pouco a pouco, foi maltratando aquele corpinho acostumado ao sol e aos dias de calor à beira do lago.

No seu primeiro ano de casada, Clara engravidou. O reino todo se colocou aos seus pés. Eles percebiam a fragilidade da jovem rainha. No último mês de sua gestação, Clara estava fraca e o máximo que conseguia fazer era bordar ao lado da janela à procura de um raio de sol que a aquecesse.

Um belo dia, enquanto bordava um lençol para o seu bebê, Clara furou o dedo e previu seu futuro: teria uma filha, com a pele alva como a neve, com os olhos pretos como o breu e os lábios vermelhos como o sangue. Teria um pouco dela e de Heitor e seu nome seria Branca.

E assim nasceu Branca de Neve, em pleno verão gelado, e linda como sua mãe havia imaginado. Clara resistiu aos primeiros meses de vida de Branca, mas quando o inverno chegou, seu corpinho não agüentou e sucumbiu.

Heitor então, mais calado do que nunca, se desesperou. Amava Branca como nunca havia amado nada em sua vida. Suas mãos tremiam de emoção cada vez que segurava sua pequena filhinha. Heitor, no entanto, sentia saudades do calor e da força de viver de Clara, e começava a dar sinais de cansaço e tristeza. Resolveu, a conselho dos amigos caçadores, se casar novamente. Uma mulher linda, autoritária, que chegou ao reino da montanha com uma imensa carga de caldeirões e um enorme espelho.

Heitor nunca se aproximou dessa mulher. Acreditou que ela cuidaria bem de sua filhinha. E três anos após a morte de Clara, faleceu sussurrando seu nome.

[O resto da história você já deve conhecer. Eu inventei esse passado da família da Branca de Neve porque, além de ser o meu conto de fada preferido, o João vivia perguntando o que tinha acontecido com a mãe da Branca de Neve. Pronto, agora ele tem uma resposta.]

 

É autopropaganda, mas a causa é nobre. Terça-feira colocamos no ar o novo site do Link. Escrevo na primeira pessoa do plural porque foi realmente um intenso de trabalho de equipe. De buscar pelo em ovo o tempo todo. Eu gostei do resultado e, entre tantos merecidos parabéns, deixo um especial para o Rodrigo Savazoni e para a Ana Freitas. Um por tudo o que fez. E a ela por tudo que tem feito.

Mês passado, li em várias revistas femininas e nos jornais da cidade teorias interessantes sobre o que querem as mulheres. Linhas e mais linhas para tentar explicar afinal de contas por que somos tão insatisfeitas. Em alguns momentos tenho a sensação que somos o Mal do Século, ou pior: o Mal de TODOS os Séculos.

Os chavões vão nessa linha: as mulheres são independentes financeiramente, fizeram dos homens uns bananas, mas ainda querem que eles abram a porta do carro. É verdade? É. É mentira? É também.

Eu não sei o que as mulheres querem, até porque é uma questão pessoal. Mas o que eu percebo, entre minhas amigas, minha mãe, amigas da minha mãe, minhas primas mais novas, amigas das minhas primas mais novas é que nós só queremos um litro de leite.

Entendeu? Então explico. Outro dia um amigo me contou uma história bobinha, mas que me deu a luz para esse texto. Durante uma conversa normal do dia-a-dia com a namorada, por telefone, ela lamentou: “Estou trabalhando tanto que nem tive tempo para comprar leite”. Meu amigo (que ganhou muitos pontos comigo por isso) não pensou duas vezes. Passou na padaria, comprou uma caixinha de leite, colocou num envelope do trabalho e deixou na portaria do prédio da namorada. Simples assim.

Não precisamos de diamantes, de mansões ou viagens ao redor do mundo. Um litro de leite (na hora certa) tá bom demais.

(texto originalmente publicado no blog do Felipe Machado)

Assisti como fiel súdita ao show do Rei no domingo à noite na Globo. Ele estava ótimo, como sempre. O Theatro Municipal estava com um cenário global, de gosto duvidoso. O Rei mandou bem no “se chorei ou se sofri, o importante é que emoções eu vivi”. E finalmente começou o desfile de divas.

Ivete Sangalo foi a primeira, já chegou cantando os botões da “brusa” e segurando a barriguinha de grávida. Não foi implicância não. Ela cantou “brusa”. Eu ouvi muito bem. E lembrei que amava quando o Didi cantava as músicas do Rei. Deveria estar ali, de peruca, batom passado de qualquer jeito na boca, meia fina rasgada e tropeçando num salto alto à la Carmen Miranda.

Daí veio a Claudia Leitte ou a Ana Carolina, não me lembro. Eu estava na cozinha e, de longe, achei que era Zizi Possi cantando. Me enganei! Era a Luiza, sua filha, com timbre igual, mas um pouco mais suave que o da mãe. Bacana.

Eu estava bem feliz e emocionada ouvindo aquele monte de cantora, cada uma de uma geração, com estilo diferente, quando a Alcione chegou. Ulalá! E já chegou, chegando, cantando “Sua Estupidez”. “Meu bem, meu bem…” Eu estava lá, comendo meio margherita meio atum, achando tudo meio brega meio legal pra caramba, quando liguei o senso crítico: onde estavam a Gal e a Bethânia? Sem dúvida, duas das melhores intérpretes do Rei. E a Rita Lee? Não foi?

Daí apareceu a Sangalo de novo. Não adianta, não gosto das interpretações dela. E ao final descubro que Marina, Adriana Calcanhoto, Rosemary (poxa! A grande amiga do Rei!), Paula Toller, Mart’nália (que eu adoro!) e Celine Imbert também estavam lá, mas não mostraram suas apresentações individuais. Ê Globo. Sempre uma pisada na bola.

Daí hoje, veio a explicação na coluna da Mônica Bergamo, que reproduzo aqui:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0206200907.htm

CORTADAS DO SHOW DO REI
O cantor Roberto Carlos está chateado. Pediu à Globo que não cortasse nenhuma das 20 estrelas na exibição do show “Elas Cantam Roberto”, anteontem.
Mas Marina Lima, Adriana Calcanhotto, Paula Toller, Mart’nália, Rosemary e Celine Imbert tiveram suas apresentações solo suprimidas. Só apareceram no final do especial, em número coletivo, com um ou dois versos cada uma.

REI NA LINHA
O Rei telefonou para Mariozinho Meirelles, diretor da Globo, para sugerir que reduzissem seu espaço no especial, em músicas que cantou sozinho. A emissora diz que usou “critérios artísticos” na edição, que teve dois números solo inteiros de Ivete Sangalo.

SÓ AS GLOBAIS
Houve descontentamento entre as cantoras. “Claro que a gente não fica contente. Poderiam ter feito uma edição que colocasse todo mundo”, diz Rosemary. “É claro que fiquei triste de não ser selecionada, mas a Globo escolheu o que ela considerou melhor para o especial”, diz Marina Lima. “Só entraram as globais. A Ivete apareceu duas vezes sem necessidade e a Sandy, que nem está na mídia mas foi queridinha da Globo durante muito tempo, também foi mostrada”, diz a empresária de uma das cantoras cortadas.

As coincidências sempre fizeram parte da sua vida. Algumas incríveis e surreais. Outras tantas banais. Mas quando ela desligou o telefone com sua mãe naquele dia, sabia que estava indo para o front. Não preparou a mochila com as provisões para a guerra. Nem mesmo se deu ao trabalho de preparar o ataque. Sentia que o destino estava ao seu lado. Mais do que sorte, era a maravilhosa roda do destino que iria girar a seu favor. Deixou a vida correr e cumprir seu papel. Os dias fluíram sem atropelos. Os problemas se resolveram com certa tranquilidade. Ganhou uma aposta aqui. Sentiu o resultado de uma semente bem plantada ali. Ingeriu um ou outro tranquilizante e esperou. Esperou aquele bonde (pro diabo com as críticas aos trocadilhos!), sim esperou aquele bonde chamado desejo com toda a sabedoria que havia acumulado nos anos intensamente vividos. Não era fútil. Não era burra. Voltou aos oráculos. De Zelda para Scott. Suave e linda foi aquela noite. E com certeza no dia seguinte aquela valsa seria dela. Planejou durante a madrugada que teria um cachorro. O nome estava decidido: Trotsky. Uma troça, uma piada com o comunismo que um dia havia admirado. Brincou com seus ideais. Riu de si mesma. Uma private joke com sua vida e seu destino. Apesar de já ter um dia carregado inocentemente uma bandeira soviética por cima do blusão do Mickey, a vida novamente imitava a vida. O que sobrara fora o blusão. A bandeira, como aquela forçada união das repúblicas socialistas, não existia mais. Pela primeira vez quis ser americana. Daquela América que vence e impõe sua cultura ao resto do mundo. Imperealista por natureza. Mas quando se pensa em ganhar, os Estados Unidos são sempre um bom exemplo. E ela havia nascido para ser vitoriosa. Ela havia começado aquela guerra e apenas ela poderia colocar fim naquilo. Sem medo, apertou o botão da bomba H. E deu a cara a tapa. Era Dia das Mães. Na província, o clima era de chuva. A estação era a sua. A família linda sentada à mesa também. As únicas proteções eram seus óculos de sol e um anel. Lentamente o destino foi cumprindo seu curso. Um reconhecimento estratégico do inimigo. Uma bandeira branca no horizonte. Uma saudação cordial. Não estava exatamente em Camp David. Mas também não era ali a Faixa de Gaza. Estava em um Jardim. E no Jardim estava segura. A explosão chegou alaranjada. Num loiro decadente e envelhecido. Sem viço. Sem charme. Vulgar. Olhos nos olhos. A última palavra não foi dela. Mas a última sentença de que havia vencido foi assinada ali. Ao virar o rosto encontrou sua principal arma brilhando em cima da toalha branca. Aquele pequeno aro dourado era a prova de que não existia guerra. De que só existia esperança e glória. O amor, quando verdadeiro, sempre vence no final. E nessa história não poderia ter sido diferente. Fim.

Eu pelo João!

E quem não tem minhocas na cabeça?!?!?!

medusa-petsonmyhead

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