Antes de mais nada, uma explicação. Arquivo de dispositivo móvel é aquele arquivo, no geral uma foto, que você envia do seu celular para sua conta do Facebook sem se preocupar em como ela vai parar lá. Isto é, você tira a foto com o celular e pede para sincronizar com o serviço e ponto. Mas como uma foto não pode cair em qualquer lugar do mundo virtual sem estar devidamente guardada dentro de uma pasta de um diretório, o Facebook cria automaticamente para você, no diretório de fotos do seu perfil, uma pasta chamada “arquivos de dispositivos móveis”, uma tradução bastante extensa para “Mobile Uploads”.
Logo “arquivo de dispositivo móvel” é um arquivo bruto, sem tratamento, qualquer um do dia a dia. Feito de qualquer jeito. Seu valor está no registro e não na qualidade. Meia-noite em Paris não é, portanto, um arquivo de dispositivo móvel. Meia-noite em Paris é outra coisa.
Saí meio decepcionada do cinema.
Só perdoo Woody Allen porque sei que quando a gente se apaixona a gente fica meio babaca mesmo e vê tudo com uma luz especial. Talvez por isso ele não tenha colocado a Dorothy Parker no filme. Ela é sarcástica demais, apesar de ser a figura mais interessante daquela geração. E esse Woody Allen é mais açucarado, meio conformado com as suas paranoias. Certamente não ia encarar a Dot.
Tirando a minha loucura particular, aliás quem é fã já sonhou viver a Paris dos Anos 20 exatamente como o W.A. fez. Eu me inspiro e relembro as obras desses caras diariamente. Adoro tanto que chego a ter carinho fraternal por todos eles. Até por isso acho que o filme fica meio óbvio demais, certinho demais, conto de fadas demais. É aquele óbvio que vai agradar linearmente, como um filme para a massa. Não é um filme que causa aquela risada incômoda, gostosa, que expõe nossos preconceitos, neuras e defeitos.
É meio um álbum de fotos de casamento, de lua de mel, em que todas as imagens são tratadas nos mínimos detalhes. Em que até os cabelos molhados na chuva ficam bonitos. É quase hollywoodiano. É quase a negação do mundo real. Talvez Paris provoque isso mesmo. Esse amor descontrolado, meio surrealista e sonhador. Paris é um grande destino turístico para onde todos querem ir e viver um momento único. Paris causa isso. E como não nascemos em Paris, ficamos ainda mais com esse deslumbre meio cego pela cidade e por tudo que ela representa para a arte, para o romance e para as histórias perfeitas.
Mas analisando só o cinema, o diretor e sua última obra, ainda prefiro Woody Allen filmando na sua casa, descobrindo a beleza do gato selvagem com óculos de aros grossos de Manhattan. Fazendo arte com arquivos de dispositivos móveis. Ensinando a gente a ser compreensível com as coisas mundanas. Com aquele homem que está no centro do mundo, que erra a mão com a mulher, com o filho e com a namorada adolescente, mas ainda assim continua lá na sua vidinha, fazendo análise e tentando acertar. É esse o Woody Allen que eu amo. E essa questão de amor é mesmo um caso sem lógica.
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A minha vida é cheia de coincidências. Não é uma ou outra, não. São muitas! Principalmente com datas e pessoas. Reencontro gente o tempo todo. É comum pensar em um artista, uma música e descobrir que aquele é o dia do aniversário dele.
Muitos anos atrás, como sempre fazia pelo menos 3 vezes por semana, fui almoçar na casa da minha avó. Cheguei, escrevi na lousa e fui procurar um livro no barracão. Era mais ou menos essa minha rotina lá pelos meus 10, 11 anos. E o barracão tinha esse armário, que já tinho sido da minha casa, ficava no quarto de empregada, do lado de fora da casa. E como não tínhamos uma empregada, era o quartinho da despensa, onde eu brincava de escolinha, onde às vezes tomava café da manhã nas férias e onde ficava ouvindo o rádio da vizinha, que ficava sintonizado o dia todo numa rádio que só tocava Roberto Carlos. O locutor lia as cartas das ouvintes, que sempre tinham uma razão para pedir uma ou outra canção, e então a música tocava. Era um programa bastante interativo e didático. Eu sabia tudo sobre o Roberto Carlos. E sabia tudo sobre a vida daquelas ouvintes, que sempre tinham um caso de amor bonito para contar.
Foi num dia normal desses, de ir almoçar na vó antes de ir para a escola, que passei no armário e peguei um livro com biografias de grandes nomes da história. Era dia 17 de alguma coisa, julho talvez [agora vou olhar no Google para conferir. É 17 de junho de 1604], quando eu abri na pagina do Maurício de Nassau. Eu ainda não tinha estudado sobre ele, mas simplesmente abri o livro na página dele, e era o dia do seu aniversário. Era tanta emoção, tanta felicidade, aqueles sentimentos incríveis que só uma boa coincidência é capaz de proporcionar.
Passei a amar Maurício de Nassau.
Hoje, procurando um livro para comprar para as férias, encontrei a indicação de “Um Dia”, de David Nicholls. Abri o arquivo com o primeiro capítulo, para ler enquanto a manicure fazia as unhas dos meus pés. O livro começa assim:
Alguma coisa me diz que vou amar este livro.
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João, hoje, ao dar início a uma história:
“Outro dia vi uma moça idosa…”
Quem não quer ser chamada assim?!?! Moça idosa!
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Ao final de uma conversa sobre quem fica com quem no final de semana, Paulo Arthur, 4, olha surpreso para a mãe e pergunta: mas você conhece o papai?
Julia, sua irmã de 7, já entende melhor a vida pós-separação. Explica que o namorado da mãe é seu padrasto. E ele retruca: se eu sou seu padrasto, o que você é minha? Ela para, pensa e responde assertiva: sou sua empregada! #cinderelafeelings
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Sábado à noite, alguém pergunta: você vai ser piloto quando crescer?
Não (com quase desdém), vou ser cientista (com a maior convicção de que sabe do que está falando).
Segunda de manhã, acorda e corre pra TV.
De repente, grita pra mim com a maior felicidade do mundo: “Mãe, vem ver, o Capitão Kirk nasceu”.
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- Mãe, me dá uma daquelas pulseirinhas, igual a que o Tutu usa!
- A do Senhor do Bonfim? Vou ver se tenho aqui. Porque só vende na Bahia.
- Ah, tá, mais fácil então… vamos pra Bahia comprar?
(resposta dos sonhos)
- Claro, filho, vamos comprar as passagens agora?
(resposta da vida real)
- hahahahaha eu vou descolar uma, João. Fica tranquilo.
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Sempre digo que quando o João nasceu, com ele foi inaugurada uma nova rádio em São Paulo. O João fala muito, mas não fala qualquer coisa. Ele gosta de se comunicar, contar histórias, fazer perguntas. Ano passado descobri por acaso que ele nasceu no Dia do Radialista (20 de setembro)! Neste ano, na escola, ele e os amigos fizeram um programinha de rádio sobre o Adoniran Barbosa. Escuta aqui (ele é o que começa falando e fica tentando fazer uma entonação diferente): Rádio Sorvete
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Larguei a terapia virtual deste blog pela real de um consultório. Não é a primeira vez, mas agora é sério. E é bom. Muito bom.
“Its my party”, com a Lesley Gore, pode ser música-tema de uma entre tantas questões abertas que estou tratando.
Essa música faz parte da trilha de “Minha Mãe É Uma Sereia”. Filme que adoro, com atrizes que me identifico por diferentes razões (Cher, Winona Ryder e Christina Ricci).
Comprei o CD na Tower Records, de Londres, em 1997, numa daquelas promoções de 0,99. Radiohead estava bombando, era capa da Q, mas eu gostava mesmo era da Lesley chorosa, mimada, cantando “Its my party and I’ll cry if I want to, cry if I want to”…
Eu ficava imaginando as amiguinhas dela dizendo para ela não chorar, e ela resmungando: eu choro sim! a festa é minha! se acontecesse com você, você ia chorar também!
A Lesley (não ela, óbvio, mas a garota da música) passou por um momento difícil. E a Cher, a Winona e a Christina também. E eu também! E para coroar essa turma agora a Amy (que deve gostar do filme também) regravou “Its my party”.
Realmente essa música atrai um tipo de mulher… e as que forem assim e lerem isso aqui sabem do que estou falando!
Nobody knows where my Johnny has gone
Judy left the same time
Why was he holding her hand
When he’s supposed to be mineIt’s my party, and I’ll cry if I want to
Cry if I want to, cry if I want to
You would cry too if it happened to youPlayin’ my records, keep dancin’ all night
Leave me alone for a while
‘Till Johnny’s dancin’ with me
I’ve got no reason to smileIt’s my party, and I’ll cry if I want to
Cry if I want to, cry if I want to
You would cry too if it happened to youJudy and Johnny just walked through the door
Like a queen with her king
Oh what a birthday surprise
Judy’s wearin’ his ringIt’s my party, and I’ll cry if I want to
Cry if I want to, cry if I want to
You would cry too if it happened to you
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Algumas coisas na criação de uma criança são muito óbvias. Vc cria, alimenta, educa, orienta, compra uma série de livros e planeja passeios e viagens que contribuam no bom funcionamento do cérebro e na formação do caráter.
Mas daí o coração de mãe não aguenta quando na mesma noite, num passeio ao shopping, o pequeno de 5 anos solta, em menos de duas horas, duas conclusões simples e inteligentes para a idade dele.
- Vamos gastar até R$ 100, certo? Vc pode comprar uma lembrancinha de até R$ 20. Eu vou usar no máximo R$ 80.
- Mãe, R$ 20 mais R$ 80 dá R$ 100?
- Isso aí, dá sim.
- Então R$ 21 mais R$ 81 dá R$ 102?
Depois, sentado, devorando um mousse de chocolate: “vê, i, vê, o”. vi vo. vivo!
(e assim ele leu na minha frente a primeira palavra que não era uma sigla, tipo DVD, TV, TVA).
Ahhhhhhhhhhhhhhhh, era óbvio que isso ia acontecer, mas é tão bom que aconteceu!
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