Saberia anos depois que as saudades poderiam ser ainda mais doloridas, mas até ali achava que estava no limite. Continuar caminhando estava pesado demais. Havia sido descoberta no meio da fuga. Que saudades dela. Suas duas outras personalidades estavam tão tristes com aquilo tudo, um planejamento tão bem estruturado estava indo por água abaixo. Que saudades. Ela (mas quem era ela?) morria a cada minuto. Ela pertencia a ele e não mais a ela. Como seu codinome, que era dele, em todos os sonhos, em todos os sentidos, sem ter sentido todos os sentidos. Eram sonhos, vontades e desejos reprimidos. Uma sufixo dela já havia alertado. Não há dor mais triste para um coraçãozinho que a de não ter vivido. Não viver era a antítese de tudo que ela e todas as suas personalidades acreditavam. E ela acreditava nele. E por acreditar nele, acreditava nela (nela inteira). E era bom acreditar nela. E era bom ter a certeza dele. Que saudades! Se.da.duas. Saudades. Novamente era preciso caminhar e sair daquilo. Não como fugitiva. Mas de cabeça erguida. O fim daquele ciclo estava próximo. Só não sabia se teria ele ao lado dela. Mas era louca por ele. E a loucura era motriz. Fonte renovável impulsionada pela distância e pela filha-da-puta das saudades. Se (Cê) da duas?
Sedaduas /interlúdio/
Setembro 8, 2006 por Ana Lucia Araujo
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