eu escrevesse, escrevesse, escrevesse. Escrevesse. Escrevesse, escrevesse, escrevesse, escrevesse… e s c r e v e s s e
e s c r e v e s s e
escrevesse assim freneticamente escrevesse feito louca ou de repente parasse e pensasse para escrever, será que se eu fizesse esse exercício por horas a fio eu conseguiria? igual a menina que coloca os sapatos vermelhos e dança, dança, dança até a exaustão. e se eu escrevesse tudo. preto no branco. sem cinzas. igual ao bonequinho que escreve, escreve, escreve até perder as pontas dos dedos? e se eu escrevesse e conseguisse assim escrevendo de qualquer jeito, sem reler, no meio do dia, com os olhos cansados, e mesmo assim conseguisse escrever para entender e finalmente depois de muito, muito escrever eu simplesmente conseguisse concluir alguma coisa? mas concluir alguma coisa consistente, que me fizesse entender tudo tudo o que eu não entendo e que no final me acalmasse. será que se eu escrever com a mesma vontade que eu tenho de pegar o carro agora e sair acelerando, talvez até na contramão, e visse o contagiros do teclado subindo e o velocímentro a ponto de explodir eu conseguiria parar? e se eu escrevesse tudo de uma vez para não deixar nada entalado e depois dia após dia só repetir: eu já escrevi tudo o que eu tinha para dizer. releia. e se eu escrevesse, escrevesse, escrevesse para nunca mais ter de fazer nada a não ser escrever esse texto sem fim, que me afastaria de tudo e me deixaria escondida e quietinha dentro dos meus pensamentos. e se ao em vez de escrever, eu mandasse todo mundo calar a boca e parar de me encher o saco? e se eles simplesmente obedecessem? ah se eles obedecessem… eu parava de escrever na hora.
E se…
Junho 17, 2008 por Ana Lucia Araujo


Nem se o mundo calasse, nem se o mundo calasse…
Pra mim, funciona escrever a mão… que, há anos, representa dor nos tendões desacostumados. Tá, é quase auto flagelo. Mas, o gostoso é voltar pra ler tudo depois e ter a sensação que não fui eu que despejei tudo aquilo ali.
Ah se não fosse o se…