As coincidências sempre fizeram parte da sua vida. Algumas incríveis e surreais. Outras tantas banais. Mas quando ela desligou o telefone com sua mãe naquele dia, sabia que estava indo para o front. Não preparou a mochila com as provisões para a guerra. Nem mesmo se deu ao trabalho de preparar o ataque. Sentia que o destino estava ao seu lado. Mais do que sorte, era a maravilhosa roda do destino que iria girar a seu favor. Deixou a vida correr e cumprir seu papel. Os dias fluíram sem atropelos. Os problemas se resolveram com certa tranquilidade. Ganhou uma aposta aqui. Sentiu o resultado de uma semente bem plantada ali. Ingeriu um ou outro tranquilizante e esperou. Esperou aquele bonde (pro diabo com as críticas aos trocadilhos!), sim esperou aquele bonde chamado desejo com toda a sabedoria que havia acumulado nos anos intensamente vividos. Não era fútil. Não era burra. Voltou aos oráculos. De Zelda para Scott. Suave e linda foi aquela noite. E com certeza no dia seguinte aquela valsa seria dela. Planejou durante a madrugada que teria um cachorro. O nome estava decidido: Trotsky. Uma troça, uma piada com o comunismo que um dia havia admirado. Brincou com seus ideais. Riu de si mesma. Uma private joke com sua vida e seu destino. Apesar de já ter um dia carregado inocentemente uma bandeira soviética por cima do blusão do Mickey, a vida novamente imitava a vida. O que sobrara fora o blusão. A bandeira, como aquela forçada união das repúblicas socialistas, não existia mais. Pela primeira vez quis ser americana. Daquela América que vence e impõe sua cultura ao resto do mundo. Imperealista por natureza. Mas quando se pensa em ganhar, os Estados Unidos são sempre um bom exemplo. E ela havia nascido para ser vitoriosa. Ela havia começado aquela guerra e apenas ela poderia colocar fim naquilo. Sem medo, apertou o botão da bomba H. E deu a cara a tapa. Era Dia das Mães. Na província, o clima era de chuva. A estação era a sua. A família linda sentada à mesa também. As únicas proteções eram seus óculos de sol e um anel. Lentamente o destino foi cumprindo seu curso. Um reconhecimento estratégico do inimigo. Uma bandeira branca no horizonte. Uma saudação cordial. Não estava exatamente em Camp David. Mas também não era ali a Faixa de Gaza. Estava em um Jardim. E no Jardim estava segura. A explosão chegou alaranjada. Num loiro decadente e envelhecido. Sem viço. Sem charme. Vulgar. Olhos nos olhos. A última palavra não foi dela. Mas a última sentença de que havia vencido foi assinada ali. Ao virar o rosto encontrou sua principal arma brilhando em cima da toalha branca. Aquele pequeno aro dourado era a prova de que não existia guerra. De que só existia esperança e glória. O amor, quando verdadeiro, sempre vence no final. E nessa história não poderia ter sido diferente. Fim.
A Guerra Fria acabou ou Big Loira, go home!
Maio 11, 2009 por Ana Lucia Araujo
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Twitter- analucia: tchau, @markmark7, foi ótimo trabalhar com vc!!!!!!! Novembro 13, 2009
- analucia: @Mari_Monne sorry por ter te dado uma... eu comprei uma caixa, achei que era boa... :-P Novembro 13, 2009
- analucia: cara, é mais gostoso comer unha do que essa barrinha de cereal Levittá que comprei! Novembro 13, 2009
- analucia: RT @estadao: O que você gostaria de saber do Ronaldo? Mande perguntas para @estadao e veja entrevista ao vivo às 13h no http://migre.me/brSw Novembro 13, 2009
- analucia: RT @link_zero: RIO - Concurso do IBGE oferece 4 vagas para jornalista. R$5.909,63 a R$7.409,29. Inscrições até 6/12. http://is.gd/4U7GW Novembro 13, 2009
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Excelente texto, bem construído e muito rico. Gostei mesmo.
Vim parar aqui por causa de uma referência no blog do Felipe Machado e adorei a surpresa… parabéns!
Abraços