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Preto no branco

- Ah mãe (reclamando), mas esse livrinho do Garfield é preto e branco.

- Antigamente as tirinhas eram assim, João. Tudo preto e branco.

- O que mais era preto e branco?

- A televisão, João. O cinema…

- Vocês também eram preto e branco?

(pausa de 5 min para parar de rir)

- Não, João, nós éramos coloridos. Mas o jornal também era preto e branco.

- O jornal ainda é preto e branco, mãe.

- Não é não, João. O jornal tem fotos coloridas. Que jornal você anda lendo, filho?

- Nem te conto!

Mad about the boy

Dica da Vivi… totalmente no contexto.

Arte e rodas

Não tem erro. No mesmo final de semana, levei para casa o Estadinho e o Jornal do Carro. Ambos tablóides. Ambos fáceis de manusear para uma criança. Ele prefere o formato do Guia, mas pega curioso e atento o Estadinho. Folheia, pede para eu ler a história da Turma da Mônica, não acha graça e parte com a tesoura pra cima do papel. Corta, recorta, destrói tudo. Fica um bolo de papel jornal no chão da sala. Na sequência, puxa pra perto o Jornal do Carro. Demora olhando os jeeps da capa. Abre cuidadosamente a primeira página, solta suspiros de oh! e fica questionando qual é mais bonito, mais rápido, mais forte. Até os classificados, com fotos de rodas enfileiradas, pneus, ferramentas, tudo é legal para ele. Daí chegam as tabelas. Ai, quanta decepção! “Aqui não tem mais carro”, reclama. Explico que cada linha tem um nome, um valor, uma informação diferente. Só se convence quando vê os ícones de sedã, esportivo, picape, cupê, targa, utilitário e todos os outros modelos possíveis. Danado, aponta um por um e cita quem entre as pessoas da família e os amigos têm aqueles carros. Não erra nenhum. Chega à última página quase desolado. Fecha o tablóide. Dá um tapinha na contra-capa e guarda o jornalzinho entre os brinquedos.

- João, eu te amo. Boa noite.

- Mas você não me ama mais do que eu te amo. Boa noite.

O que você prefere?

Emoção tarja preta ou emoção faixa preta?

Grammy 2009

Três ou quatro coisas sobre o Grammy.

Amei a apresentação em homenagem ao Four Tops. Liguei o foda-se dane-se e me acabei de dançar na sala. Tô com a maior bolha na sola do pé, mas tudo bem. Foi demais.

ftClique na foto para ver o vídeo no Youtube

Paul is dead. Quem precisa do Paul (ou do Ringo) quando se tem Dave Grohl tocando bateria daquele jeito lindo, sorrindo, feliz, descabelando?

pmClique na foto para ver o vídeo no Youtube

Agora, me conta, é bom mesmo esse som novo do Plant pra ele ganhar tanta coisa?

Gostei da Adele, mas não sei…

O que era a M.I.A. grávida? Aquelas bolas… Nem consegui reparar no som. Fiquei hipnotizada nela cantando daquele jeito. Estranho. Legal, mas estranho.
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Legal o showzinho da Kate Perry.

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O lindo cabelo da Taylor Swift.

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Beto, o nosso Beta

Fim de ano é tudo igual. Natal na mãe, plantão, falta de tempo, tudo cheio, trânsito e desespero para sair de folga.

Este ano, miraculosamente e com uma mãozinha da indústria farmacêutica, tudo caminhava muito bem no reino lá de casa.

João viajou antes. Eu fiquei para o plantão. Na hora de sair de casa, o pânico. E o Beto?

Beto é nosso Beta. Por ser azul e não vermelho, é menino. Apesar de testes do espelho terem dito o contrário, desde o dia em que chegou em casa como lembrancinha de um aniversário, Beta recebeu o nome de Beto.

João se apegou ao bichinho. A lembrancinha vinha com descrições detalhadas de como deveríamos mantê-lo vivo. Bicho de águas sujas, o Beta estava acostumado à vida dura. Não precisa de muito espaço, aliás seu cafofo tem 15 cm². É selvagem. Vive sozinho. Um hermitão das águas, que sabe se virar nos dias de lama.

Fiquei olhando pro Beto e maquinando como poderia levá-lo na viagem. Como se transporta um aquário? Por menor que seja, imaginei que ele caberia no console de latinhas do carro. Azar. Não cabia.

Só tomei uma precaução. Coloquei o Beto na pia da cozinha. Lá, pelo menos, seria mais claro e arejado do que o quarto do João.

Benzi o Beto de longe. Coloquei um grão a mais no seu jantar. A ração diária é de apenas 4 grãos de manhã e 4 à noite. Fiz um pedido rápido para São Francisco e fui embora.

Ano Novo, vida nova, São Paulo-Campos-Tietê-São Paulo. Domingo, 4 de janeiro. Nem lembrei do Beto.

Abro a porta de casa e lá está ele. Apoiado nas pedras, no fundo do aquário. Bati, sacudi, provoquei e nada. Beto estava morto! Só podia ter morrido! Quem aguentaria uma semana sem comer. Justo ele, que come bem o ano inteiro… Passou o Ano Novo na miséria.

Coloquei os 4 grãos. Beto não se mexeu. Nem sentiu o cheiro da comida. Levei o aquário pro banheiro, onde a luz é melhor, para ver se ele estava vivo ou morto. Até porque minha longa experiência diz que peixes boiam quando morrem. Mas com o Beta, tão diferente dos demais, poderia ser outra história.

Abri o aquário e comecei a cutucá-lo com o cabo do pente, bem fino. Tentava levar sua boca para o grão. Mas, apesar de um remelexo repentino que quase me matou de susto, ele estava fraco.

Cutuca daqui, cutuca dali. Rezava pra São Francisco enquanto já ficava imaginando como contaria a tragédia pro João, Beto mordiscou um grão. Jogou suas últimas forças naquele grãozinho. O barulho da mordida ecoou. Comeu o segundo, o terceiro e o quarto. Meu coração de mãe falou mais alto, dei mais dois grãozinhos para o Beto e ainda troquei um pouco da sua água suja. Ah, selvagem da lama que nada. O Beto lá de casa é uma fênix! Sobrevive a todas! Dos nossos!

Leveza x Peso

(…) “Mas, na verdade, será atroz o peso e bela a leveza?
O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.” (Por Milan Kundera, em A Insustentável Leveza do Ser)

A leveza dos pesados cristais tchecos

A leveza dos pesados cristais tchecos

É como se o mundo ficasse em slow motion. É como se um monstro saísse de dentro de nós e avançasse para o ataque. É cruel, é determinado e muito forte. Nos dá medo. Mas essa fúria alimenta algo ruim, bastante obscuro e muito depressivo, que está faminto. É uma fome de explodir. E explodimos. Todas juntas. Ana, Ana Lúcia e Analu. Cegas e mortais. Cegas e idiotas. No final, a tristeza da vitória inexistente. A realidade patética de atitude estúpida cumprida. Sem nada a comemorar.

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