Jean-Luc

Estou aqui com a cabeça grudada no vidro, olhando pela janela e fazendo pose para o Godard me filmar. Inclino a cabeça, baixo o olhar, levanto o queixo, escolho o melhor ângulo. Assim está bom, Jean-Luc? Encontro a imagem de Jean Seberg abrindo delicadamente os lábios. Descaradamente a copio. Ela roda seu godê pelas floridas ruas de Paris. Godard roda. O homem de óculos de aros grossos e redondos pretos retribui a meus olhares. Ele sabe que eu não sou do tipo que tira a cabeça da janela quando entramos no túnel. E lá vem ele. Não recuo. O meu reflexo é anti-reflexivo. Minha cara está estampada na entrada do Ana Rosa. Se você quiser me filmar agora, Jean-Luc, terá de ir até lá. Rodo com Seberg até os braços de Jean-Paul. Ele acende um cigarro e me dá um trago. Vamos embora de Paris? Sim, Jean-Paul, Paris já não é mais a mesma. Existe uma linda flor de cerejeira na saída do Paraíso, mas minhas frutas estão no Le Marais. Subo as escadas da Consolação. A garoa molha o jornal do dia. Onde estará Jean-Paul agora? Acossado.

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Um pensamento sobre “Jean-Luc

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