Cara

Tava precisando quarar um tantinho. Tirar um micróbio aqui, uma bactéria acolá. O sol amarela, mas só ele mata tudo, né? Depois fica aquele cheirinho de sol, de que queimou, assou, enfim, de que quarou. Fui quarar pra não “qualhar”.

Hum?

É coalhar. Mas a gente fala “qualhar”, né? E eu tava “qualhando”. Por isso fui lá tomar um solzinho, fui quarar ali no varal alheio e já voltei.

Queimou ou “qualhou”?

Não “qualhei” nada, não. Eu ia “qualhar” senão tivesse quarado.

Tá queimadinha.

Então, tô.

Legal.

Quarei, pô.

Ah é.

Maior saudade do inverno.

Mas agora que o sol pegou?

Ah, mas já tá bom, né?

Friozão às vezes é melhor.

Usar meia de lã, casaco.

Só chove.

Pois é, só chove.

Daí a gente fica parecendo roupa mofada no armário, né?

É.

Que foi, bodeou?

Não.

Fala aí, de boa.

Nem.

Fala, meu.

Bicho, você sacou?

O quê?

Você precisa quarar, cara, é isso!

Mas quarar como?

Dar área, viajar, curtir, tirar o bolor.

Pô, preciso mesmo. Você adivinhou.

Eu não adivinhei merda nenhuma. Todo mundo tá precisando quarar.

Só é, viu. Porra, se é.

Tá vendo, porra? É isso, cara.

Porra…

Que foi?

Deixa pra lá.

Fala, seu porra.

Meu, você acha que eu sei que porra é essa de quarar, porra!

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